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Qual o impacto da onda de M&A no mercado de BaaS?

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Você já deve ter visto nos últimos meses em algum site ou rede social notícias sobre o crescimento das fintechs e até mesmo sobre algumas aquisições de empresas parecidas com a gente da Swap, que atuam no segmento de Banking as a Service (BaaS)

As fintechs estão na moda e isso é muito bom, até porque quanto mais o segmento cresce, mais empresas farão parte dessa revolução. Isso faz parte do nosso propósito!

Mas pra gente entender melhor essa onda de fusões e aquisições, o contexto e seus impactos, convidamos nossos parceiros da Análise EconômicaAndré Galhardo Fernandes e Franklin Lacerda, para comentarem essas mudanças.

Animados? Bora lá! 

O segmento de fintechs no Brasil

Não há dúvidas de que as fintechs brasileiras são relevantes no universo de startups. Elas são consideradas, inclusive, o principal vetor de crescimento do ecossistema. Para pintar melhor esse cenário, cabe observar que em 2020 existiam aproximadamente 742 fintechs no Brasil. 

Ainda no primeiro trimestre de 2021, o segmento superou o marco de mil fintechs. Todos estes dados foram apurados pelo Distrito. No segmento de Banking as a Service (BaaS) há um mar de possibilidades. As estatísticas oficiais são um tanto imprecisas, mas há aproximadamente entre 20 e 25 fintechs brasileiras atuantes no segmento de BaaS.

Movimentações do segmento

De acordo com os dados do Inside Fintech Report, pesquisa periódica realizada pelo Distrito Dataminer, as fintechs brasileiras captaram US$ 1,9 bilhão ao longo de 2020. O valor superou os resultados de 2019, que foi de US$ 1,1 bilhão. E só nos primeiros dois meses de 2021, o segmento já captou US$ 500 milhões. 

E não só de aporte vivem as fintechs no Brasil. As fusões e aquisições (Merges and Acquisitions ou M&As) realizadas pelas startups financeiras também marcaram presença. De acordo com o levantamento do Distrito, foram 21 transações desse tipo em 2020, alcançando 95% do número de M&As realizadas nos últimos 9 anos de desenvolvimento do setor.

Quando olhamos especificamente para o segmento de Banking as a Service, as estatísticas divergem novamente. Ainda assim, os números disponíveis em jornais e blogs especializados nos permitem estimar que o total de aportes recebidos em 2020 superam os US$ 100 milhões. E do ponto de vista de fusões e aquisições ocorridas nos últimos meses, dois casos se destacam: a Hub Fintech, adquirida pelo braço financeiro da Magalu, e a Acesso, adquirida pela Méliuz.

O cerne da questão: domínio sobre o roadmap

Mas essa onda de M&As não é de hoje. A chamada verticalização já era uma tendência lá no início do século 20, cujo objetivo das empresas era diminuir a sua dependência em relação aos terceiros, além de manter o controle sobre as tecnologias de processo, de produtos e negócios, entre outras.

O movimento de M&As ganhou um novo impulso nos anos 1980, com a financeirização da economia, termo adotado para designar a flexibilização dos fluxos de capitais pelo mundo e, com o avanço da internet, dos anos 2000 em diante temos uma nova onda de M&As facilitada pelas tecnologias

Em março de 2016, por exemplo, o Santander Brasil adquiriu a fintech ContaSuper, cujo negócio era de cartões pré-pagos com atendimento totalmente digital. Com a aquisição, o Santander obteve um atalho para o mercado digital, passou a dominar a tecnologia e absorveu clientes antes desbancarizados. Hoje, a ContaSuper virou Superdigital.

Controle da jornada e do produto

Traçando um paralelo com o que se viu no passado, definitivamente, as fusões e aquisições de fintechs por players que não são do segmento financeiro esboçam uma via de verticalização e, de modo complementar, também se prestam a atender aos seus interesses.

Por exemplo, quando um marketplace adquire uma fintech que lhe possibilita oferecer uma estrutura de contas para os seus clientes, há dois grandes objetivos aqui:

  1. Manter o dinheiro circulando dentro do seu ecossistema;
  2. Manter os clientes e usuários cada vez mais ativos dentro do ecossistema. 

O que a gente percebe é que a questão por trás desses movimentos tem a ver com o controle. Assim como foi no movimento de verticalização lá no começo do século 20, bem como na onda de financeirização a partir dos anos 80, a palavra-chave é controle

Nesses movimentos, a empresa “controladora” passa a guiar a jornada do usuário. Em outras palavras, com o controle do roadmap da tecnologia e do produto, a empresa encontra um atalho para compreender essa jornada, de modo a fidelizar os usuários ao seu ecossistema – e não o contrário. Em suma, é a estratégia comercial da empresa que prevalece sobre as demandas e necessidades dos usuários.

Conflito de interesses

Ter controle significa, em outras palavras, dominar o desenvolvimento dos produtos e da tecnologia. Isso nos leva ao ponto crítico: a busca intencional pelo controle do roadmap representa um potencial conflito de interesses entre a empresa que adquiriu a fintech e o portfólio de clientes já existente daquela fintech.

Vamos explorar novamente o exemplo acima de um marketplace que adquire uma fintech BaaS. São dois negócios distintos, com estratégias diferentes e objetivos diversos. Sob esta perspectiva, trata-se de um jogo de forças onde o lado mais “forte” vence. A empresa A incorpora a empresa B em função da estratégia e objetivos da empresa A. 

A questão central, portanto, é que, quando uma empresa fora do segmento adquire uma fintech de Banking as a Service, o produto será desenvolvido de acordo com a sua estratégia e não de acordo com os interesses dos clientes da empresa adquirida. Para bom entendedor, meia palavra basta: os interesses aqui claramente são conflitantes.

Esse conflito de interesses pode ser ainda pior para os clientes. A empresa que adquiriu a fintech pode ter interesse somente na tecnologia e na infraestrutura – não no produto. Sob esse ponto de vista, o conflito é maior: o negócio de BaaS, provavelmente, vai ser descontinuado em algum momento.

Há alternativas no segmento?

Com esse desafio à frente, algumas dúvidas pairam. Em primeiro lugar, de quem são os interesses privilegiados em um movimento de M&A de fintechs como o que vemos, especialmente no caso das fintechs de BaaS? Em segundo lugar, é um movimento inevitável ou existem alternativas? Se sim, quais são essas alternativas?

Via de regra – e em linha com os aprendizados de mercado -, no geral, os interesses que são privilegiados são das empresas que adquirem as fintechs. E o movimento não é tão fácil como se espera, tanto para a empresa quanto para a fintech.

Alguns estudos mostram que o desempenho da empresa que adquiriu outra pode ficar abaixo dos seus pares que não fizeram M&A. Isso, obviamente, também se reflete na qualidade dos serviços prestados. 

Basicamente, entre 50% e 80% dos casos de M&A não saem como planejadonão agregam o valor esperado para as empresas e não produzem resultados relevantes. Com isso em mente, a verdadeira pergunta que devemos fazer é: frente a esses riscos, por que as empresas buscam fazer operações de M&A?

De maneira objetiva,

  1. podem ser empreendedores em série (serial entrepreneurs) que iniciaram um negócio, estabeleceram e buscam vendê-lo para partir para outro desafio;
  2. Ou são empresas que, face às inovações que ocorrem em seu segmento, resolvem adquirir startups seja para uma estratégia mais proativa (assumindo o risco) ou para sufocar a inovação.

Então, em meio a esse cenário, quais as alternativas, afinal? Do ponto de vista do desenvolvimento de negócios, percebemos que é fundamental ter clareza de que, seja por um empreendimento serial, por uma estratégia proativa por parte das empresas ou com o objetivo de sufocar a inovação, o primeiro passo só foi dado por uma razão: há uma oportunidade promissora e uma dor a ser resolvida

Assim sendo, o principal caminho do desenvolvimento independente de qualquer empresa – que em um contexto competitivo se torna ainda mais desafiador – passa pelo fortalecimento do modelo de negócios e pela busca por investimentos, preferencialmente de fundos ou outros parceiros sem interesses secundários ou “agendas ocultas”.

O jeito Swap de fazer as coisas

Com base nesses pontos que foram apresentados pelo time da AEC, reforçamos o compromisso em seguir nosso próprio caminho, manter uma trajetória independente, com roadmap e produtos focados no cliente para entregar a melhor experiência BaaS.

Miramos uma oportunidade face ao crescimento acelerado do segmento de fintechs e, então, começou a ser desenvolvida nossa solução, que foi lançada em meados de 2019. Nossa “fábrica de fintech” foi lançada nesse contexto concorrencial.

Com o desenvolvimento do negócio e o fortalecimento da tecnologia, nossa plataforma de emissão e processamento de cartões pré-pagos, o carro-chefe da Swap, abriu as portas para um crescimento de mais de 400% em 2020. Tudo isso inteiramente baseado em uma estratégia de negócios independente e com tecnologia de primeira linha acessível para todos.

De maneira bem diferente em comparação com alguns cases de mercado, em função de nossa decisão de manter nossa independência, a gente tem sido capaz de construir um roadmap dinâmico, que atenda aos seus interesses, inclusive em segmentos específicos que, muitas vezes nem são observados pelo mercado como segmentos com potencial.

Em outras palavras, o que a gente percebeu é que fortalecer nosso posicionamento como uma fintech independente e focada em segmentos específicos de mercado é peça-chave para manter uma entrega sólida e de qualidade de todos os nossos produtos, portanto, está dentro de nossa estratégia. Com isso, a gente é capaz de ser a máquina de criar fintechs com agilidadesimplicidade e sem nenhuma agenda oculta.

Então, recapitulando, as fintechs têm crescido em um ritmo bastante acelerado. As fintechs BaaS têm acompanhado esse ritmo. As transformações no segmento atraíram players de outros mercados em um movimento que acompanha a tendência de verticalização e de construção de Super Apps já vista em outros países. 

Mas a aquisição das fintechs que atuam com Banking as a Service por esses players deixa uma pulga atrás da orelha sobre quem realmente se beneficia com essa transição. Os dados mostram que as fusões e aquisições tendem a dar muito mais problemas do que resultados positivos entre 50% e 80% dos casos, seja para a empresa ou para a startup.

E pra você? Quem se beneficia com essas mudanças?

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